Lançado no final de 1995 pelo estúdio BlueSky Software, “VectorMan” veio como forma de resposta da Sega ao “Donkey Kong Country” da Nintendo/Rare, que continha gráficos com modelos 3D pré-renderizados, dando ao jogo uma sensação suave gerada por computador.


“VectorMan” chegou ao mercado também trazendo gráficos pré-renderizados impressionantes em estágios e personagens, além de vários efeitos especiais e de iluminação pouco usados ou inéditos no Mega Drive, sendo bem recebido pela crítica e jogadores por seu alto nível de qualidade.


Apesar de não ter muito foco na narrativa, “VectorMan” possui um enredo básico bem bacana que é semelhante ao da animação “WALL-E”, lançado pela Disney/Pixar em 2008 (será que eles são fãs do game ou é só uma coincidência?).

No ano de 2049 é mostrado que a Terra está completamente tomada pela poluição e lixo tóxico, obrigando a humanidade embarcar em uma migratória viagem para o espaço para colonizar outros planetas.

Mas eles deixam para trás os “Orbots“, robôs com o objetivo de cuidar e limpar toda a contaminação da Terra. Porém, um orbot de alto nível chamado Raster, que controla toda a manutenção do planeta, é acidentalmente conectado a uma bomba nuclear e dá origem a um novo ser maligno chamado WarHead.

Ele se declara o grande conquistador da Terra e planeja exterminar todos os humanos que voltarem ao seu planeta.

Eis que surge Vectorman, um humilde orbot que descarregava a sujeira da Terra no Sol, e que por isso não foi afetado pelo controle de Warhead como aconteceu com os outros orbots. Ao retornar ao planeta presencia a revolta do robôs, e agora é a única esperança de arruinar os planos do vilão e restaurar a paz no planeta azul.


O jogo possui gráficos e visuais primorosos, que concedem um estilo artístico único que até hoje se apresentam muito bem na tela. Apesar do título e nome do protagonista nos remeter à gráficos vetoriais, esse recurso não é utilizado por aqui, ao contrário das cenas de transição de “Ranger-X“, por exemplo.

Mas vários outros recursos e efeitos especiais são utilizados de formas impressionantes, como os fantásticos efeitos de iluminação e sombras, tanto nos cenários (como os relâmpagos do estágio 12) quanto no herói principal (note como ele muda de cor várias vezes dependendo do ambiente).

As animações são suaves e extremamente refinadas, o que pode ser percebido facilmente em chefões e inimigos de maiores portes, os efeitos parallax (movimentação dos cenários ao fundo) são muito eficazes, além de contar com um engenhoso uso da palheta de cores do Mega Drive, onde é possível perceber em alguns estágios um número maior que o limite do console, como por exemplo o belo pôr do sol no estágio 10 ou a colorida tela de abertura.


O gameplay não fica atrás em termos de qualidade e graças ao processador Motorola 68000 super rápido e fácil de programar do Megão, ainda mais nas mãos de programadores talentosos, o game oferece uma mistura de plataforma 2D e “run and gun“, dos quais são conhecidos os clássicos “Gunstar Heroes” e “Mega Turrican“, com algumas peculiaridades próprias e tudo rodando a 60FPS.

Vectorman possui uma arma básica, que pode ser fortalecida por outros itens encontrados nos cenários, mas com tiros limitados, como uma metralhadora, ondas de energia e armas de fogo tripo. Há também um escudo protetor (temporário) e ao apertar pulo duas vezes Vectorman ganha um breve impulso (além de ser possível atingir inimigos).

Nosso herói robótico também é capaz de se transformar em novas formas, permitindo acessar áreas que antes não conseguiria em sua forma humanoide. São seis tipos de Morphs:

Furadeira: Muito útil para perfurar solos.
Bomba: Destrói chãos, paredes e tetos.
Jato: Alcança lugares mais altos do que os pulos normais.
Peixe: Aumenta a velocidade debaixo da água.
Míssil: Atravessa tetos.
Paraquedas: Diminui velocidade de grandes quedas, permitindo manobras mais eficazes.
Buggy: Destrói paredes.



O design dos estágios (16 no total), outro dos pontos fortes do jogo, são bem criativos e em sua maioria enormes, não lineares e repletos de passagens secretas e plataformas invisíveis, um prato cheio para jogadores que valorizam a exploração – mas cuidado, há limite de tempo para esse passeio!

E prepare-se para um grande desafio, pois o game tem uma dificuldade acima da média que pode frustrar jogadores menos habilidosos. Uma dica: sempre pegue os multiplicadores de pontos (2x, 3x, 5x ou 10x), que na maioria dos jogos parecem ser inúteis, mas aqui são os seus melhores amigos, já que eles multiplicam os pontos de energia e vidas extras encontradas. Outro item essencial para a sobrevivência é o que aumenta o nível de energia, permitindo que Vectorman aguente um maior número de danos dos inimigos.

Por fim, para completar esse pacotaço que é “Vectorman”, temos uma trilha sonora assinada pelo músico e produtor Jon Holland, que executa incrivelmente as capacidades sonoras do Mega Drive com temas techno/eletrônicos com ritmos variados (a maioria mais lenta). Se tocasse a trilha sonora em uma rave/baladinha eletrônica dos anos 90, certamente muita gente não desconfiaria que era de um jogo.

As músicas do jogo fizeram tanto sucesso que a Sega acabou convidando o compositor a fazer um álbum com arranjos em alta qualidade baseado nos temas originais – e que você pode ouvir abaixo!


Momento para curiosidades: no lançamento do game, a Sega realizou uma promoção chamada “Play to Win”, oferecendo aos jogadores a chance de ganhar US$ 25 mil, bem como vários outros prêmios, incluindo vários prêmios de US$ 10 mil e consoles gratuitos do Saturn.

Ao completar o jogo (sem usar cheats), cartuchos selecionados de Vectorman exibiam a mensagem “You Win!” com um número de telefone especial, onde o jogador ligava e se registrava como vencedor.

“Keola” Kaula, de 12 anos, de Albuquerque, Novo México, foi o vencedor do grande prêmio de US$ 25 mil, uma visita VIP à sede da Sega e um papel de protagonista em um comercial da Sega TV.



Uma sequência foi lançada em 1996 com mecânicas semelhantes ao original, mas sem causar o mesmo impacto (em breve falaremos dele aqui no blog também!). 


Um terceiro jogo também estava nos planos da desenvolvedora BlueSky para o Saturn, assim como um projeto 3D para o PlayStation 2 em 2003, desta vez pelo estúdio Pseudo Interactive (a BlueSky fechou as portas em 2001) em parceria com a Sega, mas ambos acabaram cancelados e nunca viram a luz do dia.


Apesar da aposentadoria precoce, VectorMan é uma das jóias mais bem escondidas do Mega Drive, um grande jogo de plataforma que pelo seu lançamento já no final da geração 16 bits, acabou não se tornando tão popular quanto outras franquias da Sega, mas que certamente vale a pena ser conferido em seu Megão!

Fonte: Blog Tectoy